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A obra de Oscar Niemeyer representa uma das mais fortes imagens do
processo de modernização brasileira no século 20. Sua arquitetura formulou a primeira realização
de maturidade cultural do país com ampla difusão no exterior. Como deixou claro o
crítico Mário Pedrosa, a arquitetura foi o carro chefe do processo de
modernização no Brasil, devido, sobretudo, à ação de Niemeyer. A
irrupção da bossa nova e das vertentes concretistas nas artes plásticas e
na poesia, como marcas de um Brasil moderno, seguem a esteira da
arquitetura, já mais do que consolidada no fim dos anos 1950, selada
pela construção de Brasília. Explorando de modo radical a plasticidade
escultórica do concreto armado, Niemeyer se contrapôs aos ditames do
funcionalismo europeu mais estrito. A invenção formal é a marca da sua
arquitetura. Niemeyer retira a impressão de peso e esforço estrutural de
seus edifícios. Resultam daí formas inusitadas que parecem pousar no
chão miraculosamente, atingindo um ideal de "graça" longamente
perseguido na história da arquitetura: a associação entre leveza e
gratuidade.
Com a beleza e o impacto de seu espelho d´água, de suas curvas, da Casa do Baile, do Cassino, do Iate Clube e da Igreja de São Francisco de Assis com seus painéis de Portinari, o complexo da Pampulha se destaca na paisagem de Belo Horizonte. A criação múltipla de Oscar Niemeyer, Burle Marx e Portinari dá o passo promissor para o futuro quando a capital mineira ainda era uma cidade carente de algo que a firmasse de vez como uma das grandes metrópoles do país.
Entre 1942 e 1944 ocorreram as obras, a pedido de Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, com o objetivo de tornar a cidade de vanguarda mundial, além de desenvolver novas áreas mais afastadas do centro da cidade. No projeto encomendado por Juscelino, havia um conjunto de edifícios em torno do lago artificial que seria criado. Em torno da Lagoa haveria um Cassino, uma Igreja, uma Casa de Baile, um Clube e um Hotel. À exceção do hotel, o conjunto se concretizou com a inauguração em maio de 1943.
Talvez a principal obra do complexo da Pampulha, a Igreja São Francisco de Assis, mais conhecida como Igreja da Pampulha seja um local a parte, com bastante originalidade na arquitetura. Emoldurada pelas águas da lagoa, a igrejinha reúne as genialidades do arquiteto Oscar Niemeyer, do paisagista Burle Marx e do pintor Cândido Portinari em suas paredes. Essa combinação gerou a construção em linhas curvas totalmente revestidas por azulejos azuis tais quais os clássicos portugueses e pelos painéis que retratam a Via Sacra e a imagem de São Francisco.
No entanto, a modernidade de suas curvas causou um forte impacto na sociedade à época. As autoridades eclesiásticas não permitiram de imediato a consagração da capela devido à sua forma nada convencional para uma igreja, e ao painel de Portinari, onde se vê um cachorro representando um lobo junto a São Francisco de Assis. Por quase uma década e meia foi proibido o culto na igreja. Seu interior abriga a Via Sacra, constituída por 14 painéis de Cândido Portinari, considerada uma de suas obras mais importantes. No exterior estão belos jardins, assinados por Burle Marx.
Outro edifício importante do Conjunto da Pampulha é o antigo cassino, atual Museu de Arte Moderna, primeiro prédio do conjunto a ser construído. De imediato à sua inauguração, o cassino da Pampulha passou a receber pessoas de todo o país, transformando assim o cenário da noite belo-horizontina. Grandes artistas, renomados no Brasil e no exterior, que já haviam atuado nos Cassinos da Urca no Rio de Janeiro e no Palácio Quitandinha de Petrópolis vieram a Belo Horizonte.
Os tempos de glória do Cassino da Pampulha, porém, duraram pouco. Em abril de 1946, o governo do presidente General Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo em todo o Brasil. Após alguns anos de abandono, o cassino passou a funcionar como museu a partir de 1957. Em seu acervo, o destaque maior são obras da arte contemporânea brasileira. Exposições de artistas renomados como Guingnard, Camile Claudet, Salvador Dalí, Pablo Picasso entre outros, já aconteceram no museu.





















